quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A arte do lixo ou lixo da arte


Definitivamente uma amostra de arte gerou uma tremenda polêmica no Brasil. Ou não seria arte?

Para mim arte é uma manifestação humana destinada a agradar aos sentidos. Arte é exteriorização de dons que agracia alguns felizardos da humanidade para o deleite de quem tiver o privilégio de poder desfrutar desta manifestação. Cause isso polêmica ou não.

As imagens acima retratam duas polêmicas. A primeira é a retratação da lenda grega intitulada Leda e o Cisne, tão primorosamente eternizada pelo mestre Miquelângelo. A segunda é uma montagem de gosto duvidoso que qualquer um com um mínimo de disposição de tempo pode fazer. A primeira é arte travestida de polêmica, bela e agradável aos olhos, digna de ser exposta em algum escritório. A segunda é polêmica travestida de arte. Ninguém, com um mínimo de bom senso, dependuraria isso, sequer na despensa de sua casa.

Quem chama de arte as imagens expostas no Queermuseu, tem um único proposto, é chocar. Quem defende isso como arte tem algum transtorno social, uma vez que a amostra não visa agradar, mas impor uma norma destinada a uma minoria que se sente oprimida pelo sociedade. Quem deixar de ser oprimidos para oprimir.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

OU ISTO OU AQUILO


Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

PERSONAGEM


Cecília Meireles

Teu nome é quase indiferente 
e nem teu rosto mais me inquieta. 
A arte de amar é exactamente 
a de se ser poeta. 

Para pensar em ti, me basta 
o próprio amor que por ti sinto: 
és a ideia, serena e casta, 
nutrida do enigma do instinto. 

O lugar da tua presença 
é um deserto, entre variedades: 
mas nesse deserto é que pensa 
o olhar de todas as saudades. 

Meus sonhos viajam rumos tristes 
e, no seu profundo universo, 
tu, sem forma e sem nome, existes, 
silêncio, obscuro, disperso. 

Teu corpo, e teu rosto, e teu nome, 
teu coração, tua existência, 
tudo - o espaço evita e consome: 
e eu só conheço a tua ausência. 

Eu só conheço o que não vejo. 
E, nesse abismo do meu sonho, 
alheia a todo outro desejo, 
me decomponho e recomponho.

CANÇÃO


Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

MOTIVO

Cecilia Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

quinta-feira, 3 de março de 2016

RACISMO

Resultado de imagem para racismo

Recentemente assisti um vídeo na internet em que uma senhora, ao perceber que ao seu lado viajaria um negro, pede a uma comissária que lhe arrume outro lugar, pois lhe incomodava sentar-se ao lado de um negro.
Atenciosa, a comissária diz que vai solicitar ao comandante o que se pode fazer.
Volta pouco depois, sorrindo e dizendo que não era para a senhora se preocupar, pois o comandante avisara que ela não viajaria ao lado do negro. Para isso havia providenciado um lugar na primeira classe. 
A "madame", já começava a se levantar, sorrindo satisfeita por ser direcionada ao melhor lugar do avião, quando a aeromoça lhe interrompe:
- Desculpe, senhora. Mas o lugar na primeira classe é para o senhor ao seu lado, uma vez que o comandante achou que ele não mereceria viajar ao lado de uma pessoa com a sua maneira de pensar. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

MINUTO DE SABEDORIA


           Narudim era um sábio que vivia na idade média.
           Certo dia ele andava por uma cidade da costa mediterrânea quando viu dois jovens se aproximando de um velho que mendigava. Um dos jovens mostrou duas moedas e o mendigo escolheu a de menor valor. Os rapazes riram da falta de sensatez do velho e saíram rindo.
          Narudim continuou a olhar o velho mendigo e percebeu que outras pessoas se aproximavam, mostravam duas moedas e ele sempre escolhia a de menor valor.
          Incomodado com a simplicidade do velho por escolher sempre o valor errado, Narudim se aproximou e perguntou ao velho se ele não conhecia o valor das moedas.
          "Sim, eu conheço, meu nobre", respondeu o velho mendigo.
          "Então, porque não escolhe a moeda de maior valor?"
          "Porque gosto que eles me tomem por tolo. Se eu escolher a moeda de maior valor, eles deixaram de colaborar com minhas necessidades. Enquanto riem de mim, vão me dando moedas. E assim, todos os dias, sou mais feliz que os demais mendigos, que se consideram muito mais espertos que eu".
          Narudim, satisfeito com a explicação do velho mendigo, sorriu e lhe deu uma pequena bolsa de moedas, dizendo:
          "Esse dinheiro não é uma esmola, mas a paga por uma lição de vida que me deu".
          Compreendeu ele que é melhor se passar por tolo sendo inteligente, que se passar por inteligente sendo todo. Afinal, ser sábio é não dizer tudo o que conhece e ser tolo é não conhecer tudo que diz.

sábado, 2 de novembro de 2013

BEIJA-FLOR


Beija-flor suave em pétala resiste a sorver doce sabor, ardor 
A lascívia
 saliva tenta, atormenta, resiste, insiste
Beija-flor em arco simétrico, deslisa, alisa, aspira, conspira 
Adorável geografia plana, plena, desponta em gêmeos acordes, deleite, enfeite
 
Esta vaga planície aveludada onde se esbalda o leão, rufião, sedução
 
Beija-flor em vértice, sem aresta a floresta aspira, inspira, transpira, conspira
 
Gostosa geometria perfeita, pilares a se afastar, constatar 

A maçã que se oferece a quem melhor apetece, quem não merece.
Arrefece em néctar a esbaldar, acredite, manjar
 de Afrodite.
Beija-flor em tempo infinito, se desprendendo da flor, sabor, ardor
.
Se encontra a 
ganhar o espaço, sem limites, arrebites.
Recanto úmido, aconchego orvalhado, desfolhado.
Beija-flor profano, insano, soberano
Soprando ao vento o canto da ave ferida, querida, dor maldita
Seja a aurora bem vinda, se finda a noite... boa noite!




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

QUEM É JORGE SILVA?

Nasci em uma ensolarada manhã da planície ibérica, nos idos do ano de 1369, filho de um nômade árabe e uma espanhola espevitada. Fui batizado como João Hipólito e aprendi minhas primeiras letras com frei Agostinho, o qual me passou as primeiras noções da filosofia cristã.

Mais tarde, por volta do ano de 1470, tornei-me tão errante quanto o meu pai e fui parar em Florença, levado pela minha curiosidade insaciável e um formigueiro preso no fundo das calças. Lá conheci Leonardo, um sujeito da cidade de Vinci, com quem dividi meus conhecimentos de matemático, anatomista, arquiteto, poeta, pintor e escultor.

Inquieto e querendo fugir dos assédios de uma senhora burguesa, a quem eu apelidara docemente de Monalisa, uma vez mais pus o pé na estrada. Deixei, porém, com o jovem Leonardo alguns rabiscos de minhas invenções e voltei para a Espanha, já no ano de 1490.

Foi numa taberna, ao som de um flamenco e regado a muito vinho que contei a um tal Colombo as minhas teorias sobre a circunferência da Terra e a possibilidade de se alcançar as Índias em uma rota marítima contrária à praticada então. Um tanto quanto “burrinho”, o infeliz não conseguiu entender a magnitude das minhas conjecturas, o máximo que aceitou foi uma meia circunferência. Meses mais tarde fiquei sabendo do próprio que ele usou minhas idéias para convencer os Reis Católicos a lhe entregar a direção de uma frota de navios. Despedi-me dele, recusando um convite seu para desbravar novos horizontes.

Precisando de dinheiro, aceitei fazer parte da escolta de um bispo romano, foi onde conheci um frei alemão, cujo nome era Martin Luther ou Luder (sei lá como se pronunciava), mas que eu sempre chamava por Lutero, que era mais latino. Interessado pelas minhas idéias pouco ortodoxas quanto à venda de indulgências pela igreja romana, travamos longas horas de conversa. Com ele fui à Alemanha, onde ajudei na elaboração das 95 Teses.

Enquanto Lutero panfletava pela Alemanha eu era obrigado a fugir (com as calças na mão), pois fui flagrado por um nobre ranzinza enquanto ensinava sua jovem esposa a tricotar.

Fui procurar abrigo na cidade luz. Paris era um poço de aventuras nos idos de 1778. No meio do caos econômico e do descontentamento geral, tornei-me mosqueteiro do rei, sob a identidade falsa de George Vincent. Alguns tiros de mosquetes e outras tantas espetadas de florete e me tornei capitão da guarda da rainha Maria Antonieta. Cheio de graça aos olhos da rainha, ao que me apetece tive uma participação subjetiva no nascimento do primogênito do rei, no ano de 1781.

Desconfiado da excessiva confiança que sua adorada esposa depositava em mim, fui convidado pelo rei para me tornar espião e me infiltrar no meio dos burgueses, pois se acreditava tramar uma revolução. Ainda mais cheio de graça aos olhos de uma burguesinha saltitante, mudei de lado e denunciei todas as facilidades reais para os conspiradores.

Em 1789 a coisa ficou feia na França e, com medo de que a guilhotina também virasse para o meu lado, caí novamente na estrada e voltei à Alemanha, certo de que já haviam esquecido da minha cara, devido ao caso das teses protestantes.

Trabalhei por meses na manutenção de moinhos e, nos momentos em que uma pastorinha me deixava respirar, eu bebia vinho numa taberna, discutindo sociologia com Karl Marx. Corria o ano de 1840 e eu, indignado com a burguesia ociosa e minha condição de industriário, discursava em causa própria defendendo a igualdade entre os homens. Inquirido por Karl, sobre o que eu achava da religião, eu , já meio rouco e entupido de cerveja, desabafei: “A religião é o suspiro do ser oprimido, carente, que busca no espiritual um alívio para a realidade dura!” Extasiado, ele aplaudiu sorrindo e completou: "É, eu sei, a religião é o ópio do povo!"

Na virada do século fui garimpar ouro nas minas de carvão da Rússia. Lá, conheci um jovem seminarista de nome Vladimir, a quem apelidei de Lenin, devido ao sobrenome que nunca consegui pronunciar corretamente. Ele se interessou muito pelas idéias que eu e Karl Marx desenvolvemos sobre o capitalismo e fez o que fez lá, na Rússia. De lá também fugi com as calças na mão, antes que a revolução me taxasse de contra-revolucionário. Afinal, Lenin não era assim, tão confiável.

Fui, então, conhecer finalmente o novo mundo. De olho no sonho americano e nos dotes de uma deliciosa viuvinha, embarquei como clandestino no Titanic e só não naufraguei junto porque o bom Deus tinha outros planos para mim. Fui então trabalhar na bolsa de valores de Nova Iorque, onde fiquei especulando até 1929. Especulei tanto que a coisa "fedeu".

Depois de muitas peripécias pelo mundo afora, em 1963, aportei em berço nem tão esplêndido, nas terras tupiniquins. De onde não saí até hoje, correndo atrás de aventuras e fugindo do perigo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

CANTIGA



Passarinho que estás cantando nos galhos da madrugada,
Por muito que tenhas visto, te juro que não viste nada.
Não viste as ondas do mar que vinham se desmancharem na areia;
Quase vida, quase morte, quase corpo de sereia...
E as nuvens se deslisando com marcha e atitude de pelotão
Com a mesma atitude e marcha, tanto chegam como se vão.
Não viste as letras, que apostam forma idéias com o vento...
E as mãos da noite quebrando os talos do pensamento.
Passarinho tolo de sonoro canto, com olhinhos arregalados...
Bem-te-vi, que nunca viste como os meus olhos fechados...

NOTURNO


Minha alma é como o rochedo onde o abutre pia sem medo zombando do vendaval
Coberto de escuros matizes e lavrado em cicatrizes dos raios no temporal

Nem um resto de esperança e nem um gesto de bonança na fronte sinto passar
Os invernos me despiram e as vaidades que haviam nunca mais hão de voltar

Quero morrer! Este mundo, com seu sarcasmo profundo, manchou-me de lodo e fel
Meu talento consumiu-se e minha esperança esvaiu-se, dos martírios ao tropel

Quero morrer! Não é crime. Este fardo que me oprime, dos ombros lançá-lo ao chão
Da lama desprender-me rindo e as asas brancas se abrindo, perder-me pela amplidão

segunda-feira, 26 de março de 2012

A PARTE DE CADA UM

Conta a lenda que um certo dia houve um grande incêndio na floresta. Os animais começaram a fugir apavorados. O fogo se alastrava inclemente. De repente, no meio da confusão, um beija-flor voava em sentido contrário ao dos outros animais.
Um desses animais resolve perguntar à pequena ave:
- Ficou louco, beija-flor, vai fazer o que naquela fogareu?
- Estou indo apagá-lo.
- Com o quê?
- Com a água que levo no bico.
Outros animais também pararam para ouvir a conversa e não acreditando no que ouviam, criticaram o pequeno beija-flor:
- Você não vai consequir, a água que leva no bico nunca será suficiente para combater o incêndio!
- Eu sei disso. Mas sei também que estou fazendo a minha parte.
E voando continuou a tarefa que se propusera a realizar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

IMPRESSIONANTE

Estou postando uma apresentação criada para a primeira aula de reposição na escola que leciono.

Trata-se de uma mensagem que encontrei na "rede" e fiz algumas adaptações. Quem já conhece a apresentação vai perceber as alterações que fiz.

Espero que tenham sido para melhor
Para baixar click no link abaixo:

domingo, 23 de outubro de 2011

Alemanha - Inicio do século 20

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim — ateu confesso — desafiou seus alunos com esta pergunta: “Deus criou tudo o que existe?”

Um aluno respondeu valentemente: “Sim, Ele criou.”

Perguntou novamente o professor: “Deus criou tudo?”

“Sim senhor”, respondeu o jovem.

O professor continuou: “Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?”

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse: “Posso fazer uma pergunta, professor?”

“Lógico.” Foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou: “Professor, o frio existe?”

“Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?”

O rapaz respondeu: “De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor”

Após uma pequena pausa, o aluno retornou: “E, existe a escuridão?”

O professor respondeu: “Existe.”

O estudante interveio: “Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não! Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz. Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente”

O professor mostrava-se visivelmente indignado pela manifestação abusiva do jovem. Mas não encontrou palavras para rebatê-lo

Finalmente, o jovem perguntou ao professor: “Senhor, o mal existe?”

O professor respondeu: “Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.”

E o estudante interpôs-se: “O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

Sem ter como repudiar o discurso do jovem aluno, o professor só conseguiu perguntar-lhe o nome. Ao qual o jovem, muito humildemente, respondeu: Meu nome é Einstein, Albert Einstein, senhor!”

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MANDA QUEM PODE


Em uma empresa de usinagem havia entre os trabalhadores um homem de meia idade com pouco mais de quinze anos de firma, sempre na mesma função de torneiro mecânico. Acontece que o gerente se aposentou e o homem viu nisso sua chance de promoção, uma vez que era, com certeza, o mais antigo funcionário da empresa. Contudo, para seu desapontamento, quem seu patrão escolheu foi um jovem que não tinha sequer seis meses de casa.

Durante uma semana ele amargou a escolha do patrão, até que não mais se segurou e foi em busca de seus direitos. Seu patrão, como sempre, foi muito atencioso:

“O que é que manda, seu Manoel?”

“Pois é, seu Onofre. Eu estou aqui para uma conversa meio chata...” – o homem tentava a melhor maneira de transmitir sua terrível reclamação. “É sobre o cargo de gerente... eu acho que... o senhor sabe...”

Sagaz como era de se esperar, o empresário percebeu o que o empregado queria e foi logo o interrompendo:

“Seu Manoel, espera só um instante. Antes que o senhor continue. Foi até bom o senhor vir aqui. Estou pensando em dar além do almoço já costumeiro, uma fruta de sobremesa para o pessoal. O que o senhor acha?”

“Eu acho a idéia muito boa, seu Onofre.”

“Pois é. Então. O senhor pode me fazer um favor e ir até o mercadinho da esquina e ver se tem algumas laranjas e quanto sai o preço?”

“Agora mesmo, seu Onofre.”

E lá se foi o bom homem.

Voltou dez minutos depois com a informação pedida. Não gostou de encontrar ali o (para ele antipático) novo gerente. O rapaz o cumprimentou, sem receber de volta a cortesia. Saiu em seguida.

O senhor Onofre pediu que o empregado se sentasse e recebeu deste a informação de que havia sim, laranjas no mercado e pelo preço de um real a dúzia. O patrão disse um “ótimo” e voltou ao assunto principal, o que havia levado o bom Manoel ali, de início.

Manoel falou o que havia de falar: que ele era o mais antigo na empresa, que era o mais dedicado, sem faltas, sem atrasos, muitas férias vendidas; o trabalho em si, era o melhor, pois tinha o menor índice de refugo, graças, claro, à sua longa experiência e dedicação. Sempre muito paciente, o senhor Onofre não o interrompeu ora alguma para contradizê-lo, porque não havia o que contradizer no que o homem falava.

Bons minutos mais tarde, Manoel finalizou o que havia para fazer com um ousado: “pois é, seu Onofre. É por isso que eu achei que o cargo de gerente...”

Não terminou de falar, pois alguém batia à porta e pedia entrada. Era o “inoportuno” novo gerente.

O jovem foi logo arrancando da sua prancheta uma folha de papel e estendendo ao chefe:

“Seu Onofre, aqui está o que me pediu. As laranjas são de boa qualidade e em quantidade suficiente para nos atender. Tomei a liberdade de cotar também o preço de bananas, pois nem todos nossos funcionários podem gostar de laranjas. Pela quantidade que precisamos consegui um desconto de trinta porcentos. Se for confirmado a compra, o senhor Aguinaldo, do mercado se comprometeu a mandar somente frutas de qualidade e fazer a entrega aqui. Ele aceita pagamento por cheque e, se precisar, pode esperar alguns dias para o depósito em alterar o preço. Eu anotei o telefone para confirmarmos o pedido!”

A princípio o inconformado Manoel não entendeu porque seu patrão mandara que o tal gerente fizesse a mesma coisa que ele havia feito, porém, enquanto o jovem ia relacionando tudo que havia feito de adicional ao simples pedido do patrão, o torneiro mecânico foi compreendendo o real motivo da escolha.

Moral da história: o sol nasce para todos, porém, a sombra é para quem pode e não para quem quer.

Retificação: desejar não é poder, mas o querer com fé, tudo pode.

Tirada sobre o querer (da natureza humana): já vi rato virar morcego, cobra virar jacaré eu nunca vi.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

AMIZADE

Se por um instante Deus esquecesse de que somos uma marionete e nos presenteasse com um pouco mais de vida, possivelmente não diríamos tudo que pensamos, mas definitivamente, pensaríamos em tudo que dissemos.

Por tanto, pensando no que dissemos, fizemos e sentimos, nos perguntamos se os momentos de história que realizamos juntos foram mais grandiosos do que pequenos.

Trabalhamos muito, isso é fato, mas será que também rimos muito? Ou melhor, será que pelo menos rimos das mesmas coisas ao menos uma vez? E podemos dizer que se Deus nos concedesse mais um pouco de vida juntos, “morreríamos” de tanto rir de coisas banais por simples prazer de rir juntos?

Neste momento palavras perdem o sentido diante das mais simples indagações: será que eu fui amigo o suficiente para merecer um sorriso sincero e despertar saudades dos que ficam? Ou fui somente o colega de trabalho oportunista, que buscou auxílio quando precisava e nunca estava presente quando de mim precisavam?

Sempre há um amanhã e a vida nos dá sempre mais uma oportunidade para concertarmos nossos erros. Assim, peço a Deus que não permita que eu fira hoje, a mão de quem precisarei amanhã para me tirar do abismo. Peço a Deus que se algum dia eu te fazer chorar, que seja de saudades, após minha partida, ou de alegria, pelo nosso reencontro.

Não peço somente de você a retribuição pela minha amizade; peço também, quem sabe, um pouco de ingratidão, pois é com ela que vou provar a mim mesmo que sei ser cristão o suficiente para perdoar você, qualquer que seja seu erro.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O CACHORRO E A BICICLETA

Vamos imaginar que em uma cidade do interior de Minas Gerais, houve uma acirrada disputa para a direção de uma escola e que uma das chapas ganhou pela vantagem "esmagadora" de aproximadamente 75%.
Imaginemos também que a chapa perdedora não se contenha com a decisão da comunidade escolar e queira vencer pela "marra" tentando artifícios judiciais (nem sempre legais). Inventando argumentos para se impor, contra a vontade da comunidade. E imaginemos que motivo haveria para tanta "necessidade" de se colocar na direção dessa escola, a qualquer custo, sob qualquer meio.

Agora vamos imaginar um desses cachorrinhos de rua, que vive correndo atrás das bicicletas, tentando morder o pneu traseiro. Se ela para, ele se perde, não sabe o que fazer. Se ela continua, ele corre a esmo, pois mesmo sabendo que a bicicleta é veloz demais para ele, o infeliz não se atem a realidade e continua a correr, feito bobo. Até se cansar.
Pois é, vamos esperar que esse cachorrinho se canse de correr atrás da bicicleta e acorde para a sua realidade.
Houve um sábio chinês (Kon fu-Tse) que disse:
"Mesmo que os cães ladrem, as nuvens jamais se detêm."